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Carla e Koala

Por: Kat Blais – Global Sanctuary for Elephants

As vidas de Carla e Koala no zoo do Rio de Janeiro são um exemplo perfeito da falta de espaço e de entendimento sobre o comportamento de elefantes que, infelizmente, abrange o manejo de elefantes em cativeiro no mundo todo. Koala vive há bastante tempo no zoo. Carla vivia em outro zoo, com 2 outras elefantas asiáticas, até que fugiu, cruzando a cidade e chegando a um rio, onde se banhou tranquilamente.

Ela buscava algo tão simples e natural, mas que lhe havia sido negado a vida toda. Depois desse incidente, o zoo decidiu que ela não poderia mais viver ali, por ser muito temperamental, e a moveu para o zoo do Rio de Janeiro.

Introduções entre Carla e Koala não ocorreram bem, segundo funcionários do zoo. Havia muitas batidas de orelhas e vocalizações; assumiu-se que Carla estava sendo agressiva, e as duas ficaram separadas. Sem termos estado lá para ver, é difícil decifrar seu comportamento, mas o que foi descrito também pode ser um comportamento de excitação nos elefantes. Infelizmente, Carla foi novamente rotulada de “agressiva” e passa a maior parte de seus dias em sua pequena área cimentada. Carla e Koala não podem usar seus próprios recintos ao ar livre ao mesmo tempo. Então, enquanto uma delas está em seu recinto aberto individual, a outra fica em sua pequena área coberta, no fundo. Pelo que nos contaram em nossa última visita ao zoo, Carla é quem passa a maior parte do tempo na área fechada, enquanto Koala usa a área aberta em seu recinto vizinho.

Há uma forte sensação de desconexão associada a Carla, ela não responde a Koala quando esta se aproxima do canto de seu recinto (com uma barreira entre elas), ela apenas fica parada em seu canto, balançando de modo ritmado, praticamente como se não estivesse presente em seu próprio corpo. Com todos os anos de experiência que temos em santuário de elefantes, sabemos que existem muitos problemas com os quais os elefantes chegam, mas os problemas emocionais são as cicatrizes mais profundas e os mais difíceis de serem superados. Na maior parte das vezes, quando observamos elefantes em cativeiro em necessidade e vamos embora, procuramos pensar em algo positivo que os ajude a enfrentar a situação até que exista uma opção melhor – por exemplo, uma companhia próxima -, mas aqui, ficamos com um vazio, e tudo o que desejamos é levá-las para casa, onde possam se curar. Esperamos poder fazer uma diferença positiva em suas vidas.

 

 

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