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Elefantes do Zoo de São Paulo

Por: Kat Blais – Global Sanctuary for Elephants

O zoo de São Paulo tem 3 elefantes, 2  asiáticos e 1 africano, acomodados em locais diferentes. Antes de irmos ao zoo, escutamos bastante sobre a elefanta africana, Teresita, e como ela estava sozinha e neurótica, apresentando comportamento estereotipado durante a maior parte do tempo.  Quando chegamos, ficamos mais preocupados com a saúde e bem estar das elefantas asiáticas, Serva e Hangun. A parte da frente de seu recinto é toda de concreto, com uma área de lama nos fundos, mas que estava tão seca que chegava a formar pequenos picos. Uma das elefantas não se moveu enquanto estivemos lá, exceto para transferir o peso de uma pata para outra. Ela tinha abcessos visíveis em uma das patas, e parecia desconfortável. A outra elefanta asiática (não sabemos ao certo quem era quem, porque na placa que há em frente ao recinto, com fotos e nomes, é a mesma elefanta quem aparece nas duas diferentes fotografias) estava mais vigorosa, mas também muito tensa, rígida e ponderada em seus movimentos. Depois de vir à frente do recinto para pedir um pouco de atenção, a elefanta com mais mobilidade parou ao lado da outra elefanta, e nos pareceu que ambas gostam da companhia uma da outra. Ambas as elefantas pareceram, de alguma maneira, resignadas com o seu entorno.

Tivemos apenas uma hora para visitar ambas as elefantas asiáticas e a africana antes que o zoo fechasse suas portas ao final do dia, por isso, não tivemos tanto tempo para observá-las como gostaríamos. Teresita estava perto de nós, e, como a maioria dos elefantes africanos, ativa e vigorosa. Durante nossa visita, vimos movimentos estereotipados por alguns momentos. Durante o restante do tempo, ela andava e voltava ao mesmo lugar, procurando meios de ocupar seu tempo. Ela escalava a cerca que delimita o perímetro de seu recinto (a cerca é pequena, de madeira, pois  todos os zoos do Brasil têm fossos) e se esticava o máximo que conseguia, tentando alcançar alguns ramos frescos ou grama para comer. Mesmo quando há alguma grama no recinto de um elefante, se esse recinto é pequeno, toda a terra e a grama ficam contaminadas pela urina, por isso ele não a come. Como ela faz isso com frequência (se estica através do fosso), adquiriu um tônus muscular que muitos elefantes em cativeiro não têm. Havia suor escorrendo sobre um de seus olhos e ela tinha apenas uma das presas. Pelo que escutamos, Teresita foi rotulada como pouco cooperativa e agressiva, entre outras palavras pelas quais são chamados os “maus” elefantes em cativeiro – mas a maioria dos elefantes é apenas mal compreendida e não recebem a oportunidade de mostrarem quem realmente são.

Foi muito duro olhar todos esses três elefantes. Enquanto estivemos lá, não vimos o comportamento estereotipado interminável que Teresita geralmente apresenta, mas há uma grande preocupação com sua saúde psicológica. Ao final da visita ao zoo, ficamos muito preocupados com Serva e Hangun. Elas têm um novo recinto, mas é coberto em grande parte por concreto, e a falta de estímulos para se moverem ou perambularem não favorece em nada seus corpos envelhecidos e acima do peso ideal. Mas há algo mais com as duas asiáticas: é como se tivessem perdido a batalha para conseguirem tirar algum proveito de sua trágica situação. Todas as três elefantas carregam marcas do cativeiro, e todas elas necessitam de uma mudança substancial.

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