Rana será a 3ª resgatada do Santuário de Elefantes em MT

Rana na Fazenda Boa Luz próxima a Aracaju no Sergipe 1

Todos podem contribuir com a campanha online e ajudar no transporte de Rana até Chapada

Chapada dos Guimarães (MT) – A elefante Rana, que vive desde 2012 no zoológico de um hotel fazenda próximo a Aracaju (SE), foi doada ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB). Dentro de pouco tempo, ela estará fazendo companhia a Maia e Guida, as duas primeiras resgatadas que há 2 anos vivem na antiga fazenda de gado, especialmente adaptada pelo Santuário para elefantes, em Chapada dos Guimarães (MT).

A diretoria e os colaboradores do Santuário vibraram com a notícia. O contrato de doação entre a Fazenda Boa Luz e o SEB foi assinado no último dia 14 entre o proprietário da fazenda Marreco Fernandes e o presidente do SEB Scott Blais.

Rana vive atualmante no zoológico da Fazenda Boa Luz próxima a Aracaju (SE)

Imediatamente, o Santuário deu início aos preparativos para viabilização do transporte da aliá até a fazenda em Chapada. O cronograma da viagem, bem como os custos e campanha de arrecadação serão anunciados nesta semana. Todos poderão contribuir com a campanha online e fazer parte do resgate da Rana.

Presidente do SEB, Scott Blais assina contrato de doação da Rana em 14 de novembro de 2018A história de Rana é cheia de lacunas. Ela teria viajado pelo mundo a maior parte de sua vida e chegado ao Brasil em 1967 com o circo Gran Bartolo para apresentações em Recife (PE). Desde então, segundo relatos, trabalhou em diversos circos como Moscou, Garcia, Tihany e até no Beto Carrero. No registro de entrada de Rana na fazenda Boa Luz, sua origem consta como do circo Estoril. Seu nome é anotado como Ranny, mas ela vem sendo chamada de Rana, grafia que foi adotada pelo SEB.

À medida que estados brasileiros foram aprovando leis que proíbem o uso de animais em circo, Rana foi sendo esquecida até ser aposentada e, praticamente, desaparecer. Pequenas notas em jornais registram os movimentos de um elefante vagando livre e de outro acorrentado em uma fazenda, que podem ser associados a Rana. Há também citações sobre ela ter passado um tempo no zoológico de São Paulo, mas sem comprovação.

Sua idade é estimada entre 43 e 64 anos, dependendo do informante. O hotel fazenda onde Rana vive, atualmente, é o lar que lhe deu abrigo na fase, talvez, mais errante da sua vida. E, mesmo com todo amor que sentem por ela, os proprietários da fazenda compreenderam que o local não pode oferecer tudo o que um elefante precisa para se desenvolver e ter uma vida saudável na natureza e na companhia de outros elefantes.

Apesar de Rana fazer parte do zoológico no hotel fazenda, seu recinto fica longe de todos os outros bichos e de pessoas, o que a deixou desconectada dos seres vivos ao seu redor, avalia Scott após a mais recente visita feita à elefanta há cerca de 10 dias. Ela tem uma pigmentação rosada natural na face. “Rana é incrível. Apesar de sua vida ter sido difícil, sua condição geral é boa e consistente com a de um elefante com aproximadamente 50 a 55 anos. Seus olhos refletem uma dualidade de emoções. Às vezes, ela se mostra distante como se estivesse fugindo de sua realidade. Em outros momentos, seu olhar se faz bastante presente e brincalhão”, diz Scott.

O presidente do Santuário destaca que, no SEB, Rana não estará mais sozinha. “Em breve, com a proteção oferecida pelo Santuário e com a ajuda de Maia e Guida, Rana não sentirá mais necessidade de se esconder de seu passado. Ao invés disso, ela poderá celebrar a sua vida!”.

A boa notícia é que tudo isso vai passar e, em breve, Rana estará junto com Maia e Guida no Santuário, desfrutando da exuberância da natureza e com acompanhamento médico necessário à sua plena recuperação física e emocional.

Simultaneamente, o Santuário continua o trabalho de resgate de outros elefantes como Ramba, no Chile, e de Tamy e as fêmeas Kenia, Pocha e Guilhermina, que estão em Mendoza, na Argentina. Há também negociações para vinda de outros animais no Brasil.

Maia e Guida

Maia e Guida, as duas primeiras elefantas residentes do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), tem idade aproximada de 46 e 44 anos, respectivamente. Elas completaram em 11 de outubro dois anos de vida em sua nova casa. Elas estão adaptadas e recuperadas dos traumas causados por décadas de exploração em espetáculos circenses.

Maia e Guida adoram banho de chuva e, atualmente, caminham livremente em área de 29 hectares no Santuário

No Santuário, desde os primeiros dias, o silêncio imposto por antigos tratadores e pela falta de motivação foi substituído por diferentes formas de vocalização. Desde então, Maia e Guida se expressam com trombeteios, bramidos, roncos, chiados e sopros, entre os diferentes sons que caracterizam a vocalização de elefantes que vivem na natureza.

Herbívoras, elas não são presas ou predadoras de outras espécies e, por isso, convivem harmoniosamente com a fauna local. Atualmente, caminham livremente por uma área de 29 hectares repleta de palmeiras e árvores típicas do Cerrado.  As duas encontram na vegetação local tudo o que necessitam para se manterem saudáveis. No entanto, sua alimentação é complementada com frutas, legumes, feno e suplementos de vitaminas que, oferecidos pelos tratadores diariamente, já proporcionaram ganho de peso e deixaram as duas elefantas mais ágeis e proativas.

Santuário

Localizado no distrito de Rio da Casca, município de Chapada dos Guimarães, a 110 km de Cuiabá, capital de Mato Grosso, o Santuário tem área de 1,1 mil hectares. A vegetação é típica de Cerrado.

Sua implantação e funcionamento contam com apoio de duas instituições internacionais dedicadas a elefantes. A Global Sanctuary for Elephants (GSE) dá suporte à implantação de santuários e treinamento para tratadores. A ElephantVoices pesquisa comportamento de elefantes na natureza.

Você pode fazer a diferença e ajudar no resgate de Rana. Toda a manutenção do projeto vem de doações e a colaboração pode ser feita de diversas maneiras e com qualquer valor. Acesse o link elefantes.colabore.org/vemrana e faça sua doação.

Paisagem vista de um dos mirantes no Santuário de Elefantes mostra paredões que definem limites da propriedade ao fundoVista em um dos mirantes do Santuário de Elefantes em Chapada dos Guimarães, a 110 km de Cuiabá, capital de MT

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