Santuário vive 4 ciclos de luto e celebra vinda de Rana em 2018

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De janeiro a dezembro, 12 meses de 2018 foram de muito trabalho e de muitos avanços no SEB

Chapada dos Guimarães (MT) – A chegada de Rana ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB) no dia exato de início do verão, 21 de dezembro, permitiu ao SEB fazer uma balanço positivo das ações desenvolvidas ao longo do ano. Junto com Maia e Guida, ora unidas, ora separadamente, as três hoje aproveitam as chuvas caminhando livremente e tomando banho nos lagos construídos no habitat e que agora estão cheios de água.

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Rana, Maia e Guida caminham juntas pela reserva e aproveitam a liberdade no habitat de 29 hectares das fêmeas asiáticas

Os 12 meses de 2018 foram de muito trabalho e de muitos avanços para o SEB. Teve soltura de animais após reabilitação, novas parcerias, visitas técnicas de especialistas, primeiro engajamento na ação internacional Dia de Doar, obras no galpão das fêmeas asiáticas e no centro de tratamento médico do habitat africano e participação na exposição Elephant Parade Rio.

O início do ano, em janeiro, foi marcado pela construção de um novo lago para Maia e Guida, o que foi possível realizar após a aquisição de uma retroescavadeira. A máquina também é utilizada para constante manutenção das estradas que dão acesso ao SEB, para evitar interrupção da rotina diária e semanal. Além disso, serve para o transporte de cargas dentro da propriedade como tubos de aço e manga que as aliás adoram, além de dar apoio  para veículos menores quando não conseguem transitar nos trechos mais complicados das estradas.

Renomados parceiros da ElephantVoices, Dra. Joyce Poole e Dr. Petter Granli, na reserva em MT

Da ElephantVoices, Dra. Joyce Poole e Dr. Petter Granli, com presidente do SEB, Scott Blais, avaliam pata de Maia

A visita dos ilustres e renomados parceiros da ElephantVoices, Dra. Joyce Poole e Dr. Petter Granli, se destaca em fevereiro. Hospedados dentro da propriedade, eles puderam conhecer a estrutura física, a rotina da equipe e claro, constatar a melhoria e evolução dos elefantes que residem no SEB, à época, Maia e Guida. O olhar experiente da Dra. Joyce Poole – que é Ph.D. em comportamento de elefantes pela Universidade de Cambridge – e sua aprovação do trabalho realizado é mais uma prova do poder de recuperação de um santuário.

Em março, foi feito o lançamento da parceria com a Uzo para vendas online de sandálias de borracha personalizadas com modelos exclusivos desenhados pelo artista plástico GianLuca que teve grande aceitação do público.

Luto por Ruperta, Pelusa, Merry e Babu que morreram em 2018 sem pisar no Santuário

Abril, maio e junho foram dedicados aos preparativos para o resgate de Pelusa que acabou não resistindo à espera. A diretora de Bem Estar Animal do SEB, Kat Blaiss, passou 5 dias na Argentina, orientando as tratadoras e definindo qual seria o melhor tratamento. Estava tudo pronto, caixa de transporte já finalizada, despesas pagas e licenças de importação e exportação solicitadas sob análise dos órgãos competentes. Para viajar até o Santuário, Pelusa precisava se fortalecer. Ela aumentou o peso e estava no caminho certo para ganhar uma nova vida quando, infelizmente, não resistiu. Luto e tristeza para colaboradores, doadores e seguidores do SEB.

Julho foi um mês de obras quando foi iniciada a construção de uma ponte reforçada que dá acesso ao habitat africano para que os caminhões de concreto e com cargas de tubo de aço pudessem levar os materiais até o local do novo galpão sem problemas.

Para Colorir no Dia Mundial do Elefante

Para Colorir comemora Dia Mundial do Elefante

Segundo semestre

Marcado por árvores floridas e vegetação mais marrom, em agosto a organização fez reformas nos portões e baias do centro de tratamento do habitat asiático pensando na chegada dos próximos elefantes e para otimizar o treinamento de novos tratadores.  O Dia Mundial do Elefante, comemorado em 12 de agosto, foi marcado com a ação PARA COLORIR com ilustrações de Maia e Guida no Santuário, como alternativa de presente para os pais que, neste ano, também foram celebrados nesse dia.

Em setembro, com suspeita de queimadas ao redor da reserva, o SEB precisou monitorar toda a área com drone. Felizmente, não foi necessário tomar providências como na seca de 2017. Foi neste mês que o SEB deu início à construção das baias no galpão do centro de tratamento do habitat africano.

Em outubro, com a vegetação já completamente verde após chuvas mais frequentes e lama para banho das aliás, o SEB fez a instalação da última baia no galpão do centro de tratamento do habitat africano. Foram usados retroescavadeira, tubos de aço e caminhões de concreto. Também começou a montagem de 13 portões para instalar no local, além de ter aumentado a área concretada no galpão asiático.

Rana foi doada ao SEB pela Fazenda Boa Luz em novembro e logo foi apresentada aos seus seguidores nas redes sociais. Nesse mesmo mês, o Santuário vivenciou outro momento de alegria ao fazer a soltura para uma área maior de um veado que foi resgatado por pessoas da região, após ser reabilitado. As atividades do mês foram enriquecidas com a participação na exposição Elephant Parade, no Rio de Janeiro, e da campanha mundial Dia de Doar, pela internet.

Elephant Parede e o SEB no Rio de Janeiro em novembro

Elephant Parede e o SEB no Rio em novembro

Para que o resgate de Rana fosse concluído com êxito, o Santuário começou dezembro, mês de muitas chuvas, pedras e lama, recuperando as estradas de acesso para facilitar a passagem do caminhão que buscou a caixa de transporte de Rana – que pesa 4 toneladas vazia – para buscá-la em Sergipe. Foram 4 dias na estrada com apoio de 2 patrulhas da Polícia Rodoviária Federal.

Perdas e luto

Mesmo com tantas conquistas, o Santuário viveu três grandes momentos de luto em 2018, ao perder para cativeiros inadequados, além de Pelusa e Merry, na Argentina, Ruperta, que morreu de fome na Venezuela, e o elefante africano Babu, que morreu no zoológico de Brasília. No início de 2019, perdemos também Teresita, que morreu no zoológico de São Paulo com uma infecção que havia sido diagnosticada 9 meses antes. A eles fica o profundo sentimento de todos no Santuário e a homenagem com o plantio da árvore pata de elefante, para cada um desses animais que nunca pisará no SEB.

O diretor do SEB, biólogo Daniel Moura, destaca que um dos grandes desafios das pessoas envolvidas com o Santuário, é conseguir lidar com esses extremos de emoção. “Você tem um ponto de felicidade por dar oportunidade para elefantes que estão em cativeiro viverem com mais dignidade e saúde por toda a sua vida, confrontado com a morte dos que não conseguiu trazer a tempo”, lamenta.

Santuário de Elefantes faz 4 dias de adaptação de Rana ao conteiner de transporte antes do embarque

Caixa com Rana é içada; Santuário aguardou 4 dias para fazer a adaptação da aliá ao conteiner antes do embarque

Mesmo sabendo que não é uma responsabilidade da organização, ele sente que “é uma frustração muito grande não ter conseguido resolver isso a tempo por problemas burocráticos e financeiros, entre outros. É muito complicado lidar com essa montanha-russa de sentimentos, mas traz um amadurecimento pra todo mundo e fortalece a nossa luta”, diz.

Doações

Localizado na comunidade Rio da Casca em Chapada dos Guimarães (MT), a pouco mais de 100 km da capital Cuiabá, o Santuário tem área de 1,1 mil hectares. Seu funcionamento conta com apoio de duas instituições internacionais dedicadas a elefantes. A GSE dá suporte à implantação de santuários e treinamento para tratadores. A Elephant Voices pesquisa o comportamento dos elefantes na natureza.

Você também pode ajudar nos cuidados com Rana, Maia e Guida. Toda a manutenção do projeto vem de doações e a contribuição pode ser feita de diversas maneiras, por meio do link www.elefantesbrasil.org/doe. (Texto Lana Motta/Fotos: Patrícia Santos e arquivo SEB)

Paisagem vista de um dos mirantes no Santuário de Elefantes mostra paredões que definem limites da propriedade ao fundo

Paisagem vista de um dos mirantes no Santuário de Elefantes Brasil mostra paredões que definem limites da propriedade

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