Visita e Novo Tratador Para Ramba

Ramba

Mês passado, Kat Blais foi ao Chile para conferir pessoalmente como Ramba tem passado e para garantir uma transição tranquila entre ela e a nova tratadora. Do Brasil, onde Kat está trabalhando para criar o Santuário de Elefantes Brasil, ela mantém contato diário com a tratadora de Ramba, que envia atualizações por foto e relatórios, mas nada substitui poder vê-la pessoalmente, poder observar e analisar as nuances de seu comportamento. A visita serviu também para deixar a nova tratadora mais confortável, apresentando-a para Ramba, e mostrando a ela as particularidades do seu lar temporário no Chile.

Tratadores são peças chave na promoção do bem-estar de um elefante. Algumas pessoas pensam que eles apenas limpam fezes (e eles fazem isso também), mas os cuidadores são as únicas pessoas que se fazem presentes na vida dos elefantes – todos os dias. Quando novos cuidadores são contratados, eles sempre são informados que isso representa um longo compromisso, todos precisam se distanciar de necessidades próprias e estarem dispostos a colocar os elefantes em primeiro lugar. Muitos elefantes em cativeiro sofreram abusos durante décadas, e pode demorar para que estabeleçam uma relação de confiança com um ser humano. Tratadores precisam conhecer e respeitar todas as sutilezas da vida de um elefante. Para saber quais comportamentos indicam sintomas precoces de uma doença, ou quando precisam se aproximar para oferecer apoio emocional e se afastar para que os elefantes tenham independência. Durante a recuperação, essas situações se repetem alternadamente enquanto os elefantes aprendem a confiar em si mesmos e nos outros. Mesmo depois de anos vivendo em um Santuário, é possível que um elefante ache difícil aceitar um novo indivíduo por causa do medo e de traumas que evoluíram durante décadas de maus tratos.

Ramba recinto

Do outro lado da cerca vemos todo o recinto da Ramba

Ramba está em seu lar temporário há mais de 3 anos, e neste período ela teve alguns tratadores diferentes, sendo que vários deles tinham pouca experiência com elefantes (são habilidades difíceis de se encontrar no Chile). Quando souberam que a tratadora Carolina não poderia ficar, chamaram Lauren, que foi treinada pela Kat e pelo Scott no Tennessee e seria uma presença maravilhosa na vida de Ramba. Além de saber como realizar atividades rotineiras necessárias para manter a saúde de Ramba, ela também entende perfeitamente a importância de se respeitar um elefante como um todo e o que isso significa para a recuperação deles. Todos ficaram eufóricos quando Lauren disse que poderia cuidar da nossa querida Ramba, que é muito tranquila e leva tudo na esportiva, mas era importante que alguém familiarizado estivesse lá para facilitar a apresentação das duas.

É sempre difícil para Kat e Scott decidir qual dos dois vai acompanhar um elefante, e desta vez, quem teve a sorte de viajar para o Chile e ser um rosto familiar para a Ramba foi Kat. Felizmente, ambos tem desempenhado um papel positivo na vida da Ramba. Estavam lá quando ela foi resgatada do circo e voltaram alguns anos depois para averiguar a situação degradante na qual estava no final de 2013. Nas duas vezes, apesar das visitas durarem apenas algumas semanas, causaram mudanças positivas na vida de Ramba, trazendo de volta seu sorriso radiante e atrevido.

Ramba

Ramba é incrivelmente inteligente e muito curiosa, mas desconfia de pessoas estranhas. Inicialmente ela se mostrou cautelosa, mas estava com boa saúde e de bom humor. Não notaram perda de peso (como no inverno do ano anterior) e nenhum sinal visível de progressão de processos degenerativos. Kat e Lauren levaram diversas guloseimas para iniciar a administração de suplementos adicionais e o treinamento para tratamento dos pés. Lauren teve certa dificuldade no começo com o balde e as ervas, mas com um pouco de paciência tudo deu certo.

Elas começaram a fazer escalda-pés na Ramba por causa de uma unha que sempre foi motivo de preocupação, a mesma unha que na época do resgate estava com pus na cutícula e a região ligeiramente inchada. Sabendo que elefantes podem ter infecções profundas, que não respondem a antibióticos orais, e que dificilmente atravessam a superfície, decidiram tentar a imersão dos pés. Meses antes de viajar, Kat consultou inúmeros veterinários, especialistas equinos e ferradores (que doaram seu tempo e serviços) para elaborarem diversos planos de ação. Todos envolvendo o amolecimento da pele e a extração da infecção usando bactericidas e fungicidas para tratar o pé. Essa preocupação não é uma novidade, mas uma nova tratadora mais experiente permitiu adicionar essa atividade ao plano de tratamento da Ramba.

Ramba

Também adicionaram suplementos anti-inflamatórios à dieta dela. Mais uma vez, nenhuma novidade, mas a experiência mostra que todos os elefantes sofrem de um certo nível de artrite/problemas degenerativos/inflamações adquiridos em suas vidas de cativeiro. A variedade e especificidade dos suplementos que Ramba precisa não existem no Chile, Kat e Lauren ficaram felizes de poder trazer dos EUA exatamente o necessário. Com os problemas renais da Ramba, é muito importante que tenham cautela na hora de administrar remédios e suplementos.

Kat esteve com Ramba por pouco tempo, mas curtiram juntas alguns dias de sol e outros de chuva e frio, quando Ramba passa a maior parte do tempo dentro do galpão. Como ela recebeu bastante atenção nesse período, não ficou entediada em seu pequeno espaço. A grama está começando a crescer, e isso para ela é muito empolgante. Ramba chega a recusar guloseimas porque prefere pastar. Durante o inverno, trouxeram grama para ela de outros locais, mas quando ela mesma consegue pastar sozinha fica muito mais satisfeita.

Ramba rosto

Não importa há quantos anos você trabalha com elefantes, sempre sente uma paz incrível ao vê-los pastando. Não é nada super empolgante, mas bonito de ver. Ramba não é o tipo de elefante super intrometido quando você está em seu recinto. Ela aprecia companhia mas continua fazendo o que estiver fazendo, na dela. E Kat pôde sentar no fundo do recinto por algumas horas, tirando fotos, enquanto Ramba pastava.

Ao final da visita de duas semanas, todos estavam se acostumando uns com os outros. Ramba já estava mais relaxada com a presença da Lauren e da Consuelo, e elas mais acostumadas com a nova rotina de trabalho também. Com o clima esquentando, todos ficaram mais à vontade. Sempre é difícil despedir-se de um elefante, mas para oferecer à Ramba o que ela realmente precisa e merece, que é um lar que supra suas necessidades de espaço e companhia, Kat precisou voltar ao Brasil e ao trabalho de criação do Santuário de Elefantes Brasil. Mas ao deixar com Ramba alguém que Kat já conhece há anos e que compartilha da mesma filosofia em relação aos elefantes tornou a despedida mais fácil. Sabemos que Ramba está em ótimas mãos. E na esperança de que teremos cada vez mais apoiadores que se esforçam juntos, Lauren vai embarcar Ramba em um trailer, de mudança para o Brasil, nos próximos meses.

Compartilhe!

Comments are closed.